quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Mereço alguém que some e não suma!

"Mereço alguém que não abandone a conversa mesmo quando não mais tiver assunto pra continuar. Alguém que faça questão de sentar ao meu lado, que reverse o olhar, o abraço e a vida pra mim, que sempre encontre um espaço e um tempo pra me encaixar mesmo que a rotina seja bagunçada e o tempo curto demais. Alguém que confira se tranquei as portas, e se desliguei o café porque eu sempre esqueço. Alguém que saiba que amar não é obrigação, que zelar é um gesto importante e que o amor não se acaba com os erros. Alguém que tenha paciência comigo, que aceite o meu atraso porque sempre fui indeciso em escolher a melhor roupa pra não fazer feio. Alguém que entenda a minha mania de ansiedade. Alguém que apareça com um par de ingressos pro show do Nando Reis, que me leve pro cinema sem data ou hora marcada, que me faça bem, que me tire da cama e me apresente aos lugares, aos amigos e ao mundo. Alguém que me abrace mesmo suado, que me beije de manhã cedo sem pensar em bafo, que acaricie minha nuca e que, ao mesmo tempo em que me olha, diz com um só sorriso que sou importante sim.
Mereço alguém que me encare quando eu estiver distraído, que sorria da minha cara de preocupado e de assustado, que me ligue pra narrar o seu dia, que encoste o ombro no meu peito enquanto faz frio e o filme passa. Alguém que não precise de mim apenas nos piores momentos, mas que precise de mim sempre. Alguém que não tenha vergonha, nem orgulho, que some e não suma, que fique e não desapareça, que me entorte a cara se eu disser bobagem mas que, ao menos, me permita dar um beijo como desculpas. Alguém que me faça sorrir sem se preocupar, nem se importar se meu cartão de crédito está no vermelho ou se vou ter que pagar duas cadeiras na faculdade. Alguém que me faça esquecer os problemas só em sorrir pra mim e que me deixe com aquela sensação ao voltar pra casa de que o meu dia está ótimo mesmo quando esteja uma droga. Alguém que encontre nos piores momentos uma lição, e que nos melhores momentos encontre sempre um bom exemplo pra melhorar nossa relação. Não mereço alguém que não sabe o que quer, mereço alguém com certezas. Mereço alguém que seja sincero comigo e principalmente, que se entregue por inteiro porque eu não estou aqui pra receber metade de ninguém.
Não mereço alguém de conversa mole, que enrole, com meias palavras e cheia de desculpas. Não mereço alguém que me dê mais perguntas do que certezas, que seja a causa e não a solução pros meus problemas. Mereço alguém que troque seu domingo de praia por um domingo em casa, que acorde tarde e que use os meus chinelos sem se importar se são dez vezes maiores que seu pé. Alguém que repare o tempo mas que não tenha medo dele, que tenha mania de ler as noticias dos jornais só depois de ter lido o horóscopo do dia na página seis. Alguém que largue as roupas pela casa, que estenda a toalha no varal meio bagunçada, que se sinta bem comigo e que mesmo me mandando pro inferno, me procure. Alguém que chegue logo, que sempre adie a hora de ir, que fique pra agora e que vá só depois que a saudade se acalmar só um pouquinho. Alguém que não desista de mim e que me faça sentir que sou realmente importante e necessário. "

A vida é muito mais do que achar alguém, é achar-se!

"As pessoas que passam por nossas vidas, tiram muitas coisas de dentro de nós, boas e ruins. Elas nos tocam, e as vezes fazem-nos olhar para o mais dentro de nós possível. Algo que sozinhos não poderíamos. Mas isso não significa que elas ficam para sempre. 

As pessoas se vão, pessoas não ficam juntas, e dói. Dói por que é importante. Dói por que contraria nossas expectativas, e poxa, por que vivemos com expectativas? Elas servem na maioria das vezes para não serem alcançadas. E a culpa de elas não serem alcançada é nossa, por termos criado as mesmas. 

Existem pessoas que eu gostaria com todas as minhas forças que tivessem continuado ao meu lado, Deus sabe como. E não há uma noite em que eu não ponha a cabeça no travesseiro e pense: por que não a tenho mais ? Mas as coisas vão acontecendo… as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… E nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. (…) Mas ainda há um momento entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros.

Não os temos mais porquê foi-se a hora. A vida não é cor de rosa. Mas o importante é que apesar de tudo, tivemos a chance de enxergar um ao outro. Sem idealizações. Apenas nós, pelas rachaduras. E então, tudo se rompe. E a vida continua, mas a gente sabe que não foi em vão. Porque em meio a tudo isso, a gente se descobriu também. Porque o fim nem sempre é regado de açúcar. Às vezes, ele é regado de descobertas sobre si e sobre o mundo ao redor. Ele é regado de esperança, mas não de expectativas. Ele é regado afinal, de um conjunto de coisas que nos levam a um novo começo.

Sempre!"

domingo, 15 de março de 2015

...

  Vocês estão juntos. Nada oficial, mas juntos e saltitantes. Mensagens pipocam no celular o dia todo, vocês se encontram mais de uma vez na semana, já existem até piadinhas internas entre os dois (ui, que casal em sintonia!), e quando não existe mais onde melhorar… A pessoa S-O-M-E.
   (Som de carro freando) Todo mundo aqui já levou essa bofetada da vida, pelo menos umas trinta e sete vezes. Te deixa com #chatiação no estômago, triste, puta da vida. É covardia, é falta de educação, é o que você quiser; mas é, principalmente, a realidade daqui pra frente. Então o jeito é encarar. Diante desse cenário você tem duas opções: Sofrer; o que, na minha opinião de mulher com muita experiência e tara pelo sofrimento, não resolve muita coisa, a não ser que você goste de escrever (muito prazer!). Chorar no banheiro da firma, no travesseiro ou na Avenida Paulista (been there, done that): escolha aí um lugar bem bacana pra te deixar mais patética, porque sejamos sinceras, passar essa vergonha toda por alguém que não tá nem relando o pensamento em você é sinal de que sua autoestima tá precisando de um Hadouken. Seguir em frente é na verdade a única opção. Seguir em frente, sem olhar pra trás. Não há nada que você possa fazer para trazer de volta a pessoa amada. Ela volta se quiser, e isso está descontroladamente fora do seu controle. Delete esse ser humano do seu dia-a-dia, como borracha, daquela vermelha e azul, que apaga até caneta e detona o papel, sabe? A pessoa não tinha vários defeitos? Aqueles que você parava pra pensar se no futuro aguentaria conviver? Pois é, meu bem, esse é o momento pra ativar todos e somente eles no seu coração. 
  O ser humano, que já dançava estranho, piscava demais os olhos ou maltratava garçom, sumiu e não deixou nem um post escrito “Valeu”. Ele merece um gelo polar do seu orgulho. Faça isso, mas sem jogar. Seguir em frente não é tentativa alucinada de chacoalhar alguém, até que ele acorde e perceba a estupidez que fez (obviamente foi uma estupidez, afinal somos incríveis, não somos?). Seguir em frente é pra quem quer ser feliz e só. Não adianta bater em tecla vazia; quando alguém te quer, o telefone toca. Quando alguém te quer não existe muito trabalho, aniversário do primo do amigo da vizinha, não existe passeio com o cachorro, não existe “tá chovendo granizo e eu não tenho carro”. Quando alguém te quer, desculpinha é palavra fora do dicionário. Vamos tirar das nossas vidas pessoas que não se importam com o que sentimos. Talvez, coitadas, seja o jeito delas de permanecerem boas em suas consciências, porque o que os olhos veem o coração sente. É ruim ser o vilão da história. E na vida, tudo tem vinte lados. Mas vamos priorizar um: o lado da nossa felicidade. Sofrer só prorroga o momento de abrir uma nova porta no coração. Seguir em frente é girar a maçaneta e estar pronta pra próxima.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A alegria na tristeza

"O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.
O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.
Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.
Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.
Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.
Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.
Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada."

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Manifesto contra relacionamento sério!

"Eu não quero estar em um relacionamento sério. Nunca. Nem hoje, nem semana que vem, nem em dez anos. Nem se eu estiver estabilizada na vida, nem se eu estiver carente e sozinha, nem se o homem mais interessante do mundo aparecer. Aliás, principalmente se o homem mais interessante do mundo aparecer.
Sério é o meu relacionamento com meu porteiro, e olhe lá. Volta e meia conversamos sobre algum assunto que nos faz rir. Só quero ter relacionamentos sérios com quem não gosto. Com o mal educado da fila do super, a moça que não segurou a porta do elevador pra uma velhinha na minha frente, o imbecil que não limpa o cocô (tem acento ainda?) do cachorro da calçada… Com quem amo, quero ter relacionamentos leves, divertidos, coloridos.
Relacionamentos que acrescentem sem pesar, porque de pesada já basta minha bolsa. Relacionamentos que não façam cobranças, porque eu quero me doar por vontade própria. Relacionamentos leves, que respeitem a identidade individual, que não tentem nos tornar um só, com os mesmos gostos, as mesmas vontades, as mesmas neuras. Ao contrário, que nos ensinem a gostar de coisas novas, a pensar diferente, abrir a cabeça, a entender que essa história de metade da laranja não funciona nem pro próprio Fábio Jr (tá casado com quem agora, mesmo?).
Ok, “relacionamento sério” é só um título, uma maneira de chamar. Mas em alemão, por exemplo, esse termo é substituído por “está apaixonado por”. Muito mais querido, não?
Mais do que o botão de dislike, acho que está faltando nas redes sociais outras maneiras de descrever o amor. Sério não é uma palavra que faça jus à grandeza desse sentimento. Não é um relacionamento enrolado, não é um relacionamento aberto. É um relacionamento livre, em que ambas as partes escolheram estar, não por carência ou comodismo. Não porque não-tem-tu-vai-tu-mesmo, mas porque foi uma escolha entre estar feliz solteiro ou estar mais feliz ainda com essa pessoa. É um relacionamento leve, porque os dois têm consciência de que estão juntos porque querem, e sabem que ninguém é obrigado a levar isso adiante se não se sentir valorizado, amado e feliz. É um relacionamento dinâmico, porque permite o crescimento mútuo e entende que vamos passando por fases ao longo da vida, mas que alguma coisa deve se manter desde a origem, e é o que os fará permanecer unidos, mesmo que não sejam mais como eram quando se conheceram. É um relacionamento divertido, porque te dá liberdade de rir sem culpa, viver sem pudores, virar criança em alguns momentos e reinventar o kama sutra em outros.
Ao invés de o facebook investir em tantas mudanças de layout das páginas e outras bobagens, bem que Mark e sua turma podiam ampliar o leque de status afetivos, né? Talvez se existissem mais maneiras de definir os relacionamentos nas redes sociais as pessoas acabariam se questionando que tipo de relacionamento elas de fato têm. Por mais boba que seja a pergunta, acredito que entre “estar em um relacionamento sério” ou “estar em um relacionamento divertido”, a maioria das pessoas optaria pelo segundo. Pelo menos para manter o status."

domingo, 26 de outubro de 2014

Complexidade!


"Nunca fui muito boa em lidar com sentimentos, sabe. Sentimentos são complicados e me dão enjoo. Enjoo do tipo de ficar com  aquele frio na barriga toda vez que eu te vejo. Toda vez que sinto sei que as coisas estão fora do controle. Os sentimentos estão fora de controle. Eu posso não conseguir controlar o que sinto, mas ainda bem que fui abençoada com a capacidade de manter minha boca fechada. Ouvir de mim o que eu sinto por você? Difícil. Primeiro, porque tenho bloqueio em dizer o que sinto pra qualquer pessoa, mãe, pai, irmão. "Te amo tanto, você é tudo na minha vida"
"Também te amo querida, morro por você". PAROU POR AI.

Demonstrar sentimentos é a mesma coisa que ficar vulnerável. Se eu disser o que realmente sinto, tenho a certeza de que irei me sentir no meio de um campo de guerra pronto para levar um tiro fatal a qualquer momento. Dizer nossos sentimentos em voz alta faz com que se tornem realidade, faz com que o mundo saiba disso, faz com ela saiba disso. E eu não consigo, não suporto, o orgulho não deixa e o medo me impede. Mas eu sinto um turbilhão de emoções, uma porrada de sentimentos. Todos eles aqui, misturados, guardados, ocultados. Às vezes não consigo e transbordo eles em forma de atitudes que eu espero que você seja esperto o suficiente para perceber. Fazer o que, é o meu jeito.

 Odeio pessoas que cobram ouvir o dia inteiro o quanto gostamos delas. Acho que se parássemos pra prestar atenção em cada detalhe e em cada gesto, saberíamos muito bem como a outra pessoa se sente em relação a nós. Eu posso não ter capacidade de dizer "Eu te amo", mas se lembra quando eu te ligava de madrugada morrendo de saudades? Querendo te ver? Esse era meu jeito de dizer que eu te amava.  Posso não conseguir dizer o quanto você é incrível e que te admiro demais, mas sabe quando eu fico te olhando com um sorriso bobo e você pergunta "Que foi?".. Esse é meu jeito de mostrar o quanto te admiro.  Te garanto um carinho nas horas em que você estiver triste e um abraço quando você mais precisar. Nunca consegui te dizer que não queria te perder e que queria você para sempre, mas se lembra dos abraços apertados que eu te dava? Então. Gestos que demonstram tudo. Tudo aquilo que eu não consigo te dizer.

 Talvez eu seja só mais uma covarde que não diz o que sente porque tem  medo de admitir que ainda tem um coração. É, talvez eu seja. Mas fazer o que se eu cresci ouvindo que atitudes valem mais do que palavras?"


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Depois se vê!

"A gente se entope de açúcar, não usa fio dental e depois vai tratar a cárie, se sentindo privilegiado por poder pagar um dentista. A gente aplaude a arrogância dos filhos e depois vai pagar a fiança na delegacia. A gente fuma três maços por dia e depois processa a indústria tabagista. A gente corre na estrada a 140km/h, ultrapassa em faixa contínua e depois suborna o guarda, na melhor das hipóteses.  Ou então morre, ou mata - na pior delas.
A gente vota em corrupto, depois desdenha da política em mesa de bar. A gente joga lixo no meio fio, depois se surpreende em ter a rua alagada. A gente se expõe em todas as redes sociais, depois esbraveja contra os que invadiram nossa privacidade.
Precisamos de transporte público de qualidade, mas só depois de sediar a Copa do Mundo. A sociedade reclama por profissionais gabaritados, mas ninguém investe em professores e em universidades. E os donos de estabelecimentos comerciais só irão se dar conta de que estão perdendo dinheiro quando descobrirem os pangarés que contrataram para atender seus clientes. Treinamento, nem pensar. Se precisar mesmo, depois.
Precisamos mesmo. De tudo. Só que antes. "